Philip Kotler, considerado o pai do marketing moderno, definiu marketing como o processo de identificar, criar e entregar valor ao público. No ambiente empresarial, essa lógica costuma funcionar de forma relativamente previsível. Já no marketing político, a realidade é muito mais complexa, imprevisível e distante dos modelos tradicionalmente ensinados nas universidades.
Campanhas eleitorais não são disputadas apenas por meio de slogans, pesquisas e publicidade. Elas envolvem uma verdadeira guerra invisível, onde percepção, influência, poder e sobrevivência política exercem papel decisivo. Muitas das estratégias que produzem resultados não têm origem na academia, mas em conceitos extraídos da arte da guerra, da geopolítica e do profundo entendimento do comportamento humano.
O estrategista chinês Sun Tzu permanece atual ao afirmar: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas.” No entanto, poucos candidatos conhecem de fato o eleitor, os adversários e, principalmente, suas próprias limitações.
Durante uma eleição, em 1985, ouvi de um político experiente uma frase que jamais esqueci: “O maior crime em uma eleição é perder.” Na época, a afirmação me pareceu exagerada. Com o passar dos anos, compreendi que a disputa política possui regras próprias, nas quais estratégia, preparo emocional, inteligência e experiência frequentemente definem os resultados.
A ascensão das redes sociais e da Inteligência Artificial transformou profundamente esse cenário. O eleitor passou a ter mais acesso à informação, maior capacidade de fiscalização e menor tolerância à incoerência. Tornou-se mais difícil sustentar personagens artificiais ou discursos desconectados da realidade.
O desafio atual não é apenas vencer uma eleição, mas manter a credibilidade após a posse. Promessas de campanha são registradas, compartilhadas, comparadas e cobradas em tempo real. A reputação passou a ser um ativo político tão importante quanto a capacidade de comunicação.
Já existem líderes que enfrentam dificuldades para frequentar ambientes públicos ou utilizar serviços comuns sem manifestações de apoio ou rejeição. Trata-se de um sinal claro de que a política mudou e que a sociedade exige maior coerência entre discurso e prática.
O futuro das campanhas eleitorais tende a pertencer menos aos especialistas em propaganda e mais aos estrategistas capazes de compreender comportamento humano, tecnologia, geopolítica e construção de confiança. Afinal, ser eleito pode depender do marketing. Permanecer respeitado depende, acima de tudo, da credibilidade conquistada perante a sociedade.
Hélio Mendes — Consultor empresarial e político, palestrante e autor do livro Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Conselheiro formado pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia.
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