Por Hélio Mendes
É recorrente ouvir empresários declararem, inclusive em fóruns estratégicos, que “não gostam de política”.
Na prática, porém, nem sempre escolhemos apenas o que agrada; escolhemos o que é necessário.
A política integra o macroambiente que molda o destino de nações e organizações.
Decisões políticas afetam desde o nível municipal até o equilíbrio de poder entre países.
Na nova geopolítica, seu peso estratégico tornou-se exponencial.
Ela passou a influenciar diretamente custos, acesso a mercados, crédito, regulação e tecnologia.
Ignorar esse vetor é abrir mão de uma variável crítica de competitividade.
Torna-se, portanto, obrigatório que empresários e lideranças dominem esse campo de análise.
Consultorias estratégicas precisam incorporá-lo de forma estruturada em seus diagnósticos.
Não se trata de “gostar” de política, mas de compreendê-la como fonte de risco e oportunidade.
É recorrente o erro de delegar decisões políticas como um “cheque em branco” aos eleitos.
No sistema atual, emendas e arranjos institucionais deslocaram o centro de poder.
Executivos públicos ampliaram sua autonomia relativa frente ao empresariado e ao eleitor.
Esse contexto exige leitura fina do ambiente institucional e capacidade de influência legítima.
Maquiavel, em O Príncipe, já alertava que delegar é instrumento estratégico, não um fim em si mesmo.
Delegação sem governança produz assimetrias de poder e riscos sistêmicos.
Responsabilidade estratégica não se terceiriza.
A indiferença política de parte do empresariado cobra um preço elevado.
O país convive com juros altos, insegurança jurídica e erosão de confiança institucional.
Esses fatores encarecem o capital, travam investimentos e reduzem competitividade.
Empresas que ignoram política operam com um mapa incompleto do ambiente competitivo.
Estratégia exige leitura integrada de mercado, tecnologia e poder.
No novo tabuleiro global, neutralidade deixou de ser virtude.
Tornou-se uma decisão de alto risco estratégico.
Hélio Mendes é palestrante e consultor empresarial e político, autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa, Curso de conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).








