Quando uma empresa imita as estratégias e os processos dos líderes de seu setor, geralmente revela algo preocupante: ela ainda não construiu uma estratégia própria. Mais grave é agir como se tivesse.
Copiar o líder pode parecer uma escolha segura, mas significa competir segundo as regras, o ritmo e as decisões de quem já está à frente. É como segurar o rabo de um pit bull: enquanto ele corre na direção que escolheu, você apenas tenta não cair.
Em um ambiente marcado por rápidas transformações tecnológicas, econômicas e competitivas, essa posição se torna ainda mais perigosa. Estratégia verdadeira exige escolhas, coragem e uma posição própria no mercado.
Um teste simples para avaliar a consistência de uma estratégia é observar três características fundamentais: foco, singularidade e mensagem consistente.
Foco significa concentrar recursos e energia nos atributos que realmente diferenciam a empresa e criam valor para o cliente. Quem tenta ser tudo para todos geralmente dilui investimentos, confunde prioridades e enfraquece a própria identidade.
Singularidade representa a capacidade de construir uma proposta diferente e relevante. Quando a estratégia nasce apenas como reação aos concorrentes, a empresa passa a imitá-los e perde diferenciação. A pergunta estratégica não deve ser somente “o que os líderes estão fazendo?”, mas, principalmente, “o que faremos de maneira diferente e valiosa?”.
Mensagem consistente é a capacidade de explicar a estratégia com clareza para clientes, colaboradores e parceiros. Uma proposta de valor precisa ser verdadeira, convincente e sustentada pela capacidade de entrega da organização. Não basta criar uma frase bonita; é necessário cumprir aquilo que se promete.
Muitas organizações acreditam possuir uma estratégia porque elaboram planejamentos, definem metas, acompanham indicadores e produzem apresentações sofisticadas. No entanto, eficiência operacional, isoladamente, não substitui posicionamento estratégico.
Estratégia significa escolher onde competir, como criar valor, quais diferenças sustentar e, sobretudo, o que não fazer. Toda estratégia legítima envolve escolhas e renúncias.
Ter foco, singularidade e uma mensagem consistente parece simples. O verdadeiro desafio está em construir e sustentar esses três elementos diante das pressões do mercado.
Por isso, antes de acelerar seguindo o líder, faça uma pergunta incômoda, mas necessária:
Sua empresa está construindo o próprio caminho ou apenas segurando o rabo do pit bull?
Hélio Mendes- Palestrante, consultor empresarial e político. Autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).
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