Sem caráter, que valor tem uma promessa?
Houve um tempo em que as eleições reuniam famílias nas ruas. Pais levavam filhos e netos aos comícios para participar da vida pública. Hoje, muitos eleitores se aproximam das urnas com uma pergunta difícil: em quem confiar?
Faltam valores a parte dos políticos brasileiros. Sobram promessas vazias e campanhas feitas para chamar a atenção, enquanto o futuro do país fica fora do debate. Há candidatos ao Legislativo que pedem votos sem explicar o que pretendem fazer com o mandato. Outros sequer deixam claro quem apoiam para governar o estado ou o Brasil.
Essa conveniência me lembra uma frase que ouvi de Aureliano Chaves: “Quando a esperteza é demais, come o esperto.”
Quem financia a política com seus impostos tem o direito de exigir transparência. Também precisa olhar além da emenda parlamentar anunciada às vésperas da eleição. Recursos públicos devem atender à população, jamais servir de moeda de troca eleitoral. E quem só aparece a cada quatro anos deve explicar o que fez durante esse intervalo.
No dia 4 de outubro, não basta votar em um conhecido ou em quem trouxe uma obra. É preciso examinar propostas, trajetória, alianças e atuação pública. O candidato conhece os problemas que promete resolver? Terá independência para defender o interesse coletivo depois de eleito?
O Brasil precisa de representantes capazes de prestar contas e tomar decisões difíceis. A escolha não exige fé em salvadores. Exige atenção aos fatos.
Antes de entregar o voto, faça uma última pergunta: essa pessoa merece decidir em meu nome pelos próximos quatro anos?
Hélio Mendes – Palestrante e consultor empresarial e político. Autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Possui formação para conselheiros pelo IBGC e foi secretário municipal de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).
Assista: 1 de outubro a nova série do Instituto Latino/ Hélio Mendes: Café do Brasil – Episódio 1








