Compreender um cenário exige mais do que observar seus elementos aparentes. Assim como a moldura de um quadro delimita o espaço onde diferentes obras podem existir, o contexto estabelece os limites dentro dos quais múltiplas interpretações se formam. Cada artista imprime seu próprio traço e revela uma perspectiva particular, que pode ser entendida como uma verdade legítima. O observador mais preparado, portanto, não se detém apenas na imagem final, mas busca compreender o processo de construção da obra, sua origem e as intenções que a moldaram, evitando leituras superficiais ou estritamente figurativas.
Nas organizações, essa lógica se manifesta de forma clara e recorrente. Em ambientes de decisão estratégica, especialmente em reuniões de alto nível, é fundamental reconhecer e respeitar a diversidade de interpretações presentes. Cada participante carrega consigo experiências, repertórios e percepções próprias da realidade, que influenciam diretamente sua leitura dos fatos. Ignorar essa pluralidade empobrece a análise; considerá-la amplia a capacidade de compreensão e qualifica o processo decisório.
Resultados superiores não são fruto de visões únicas ou lineares, mas de uma leitura abrangente do contexto, capaz de integrar diferentes pontos de vista sem perder de vista a motivação original e o ponto de partida das decisões. Essa abordagem permite identificar riscos, oportunidades e nuances que dificilmente emergem a partir de uma única perspectiva.
Os cenários contemporâneos são, por natureza, voláteis, fragmentados e sujeitos a múltiplas leituras. Ao partir dessa complexidade e não da ilusão de uma verdade absoluta as organizações ampliam significativamente suas chances de alcançar resultados mais consistentes, sustentáveis e promissores, independentemente do setor em que atuam.
Hélio Mendes
Palestrante, consultor empresarial e político. Autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia/MG.








