Grande parte das empresas e instituições de ensino no Brasil ainda opera sob uma concepção limitada de estratégia. Predomina uma abordagem excessivamente idealista, dissociada das dinâmicas reais de poder que estruturam mercados e relações internacionais.
Na perspectiva de Philip Kotler, frequentemente reconhecido como o “pai do marketing”, estratégia consiste na criação, comunicação e entrega de valor ao mercado-alvo com rentabilidade. Trata-se de uma definição relevante, porém incompleta quando desconsidera variáveis críticas como competição sistêmica, interesses geopolíticos e assimetrias de poder.
Uma visão mais abrangente pode ser encontrada em Sun Tzu: conhecer a si mesmo e ao adversário é condição essencial para a vitória. Essa lógica, embora milenar, permanece atual e é amplamente aplicada por nações e grandes corporações.
O ambiente competitivo contemporâneo é moldado por interesses não por relações idealizadas. A máxima de que não existem amizades duradouras, apenas interesses permanentes, reflete com precisão o funcionamento dos sistemas econômicos e políticos globais.
Conflitos recentes e movimentos estratégicos entre grandes potências evidenciam essa realidade. Disputas geopolíticas, políticas industriais, restrições comerciais, formação de blocos econômicos e práticas de lobby são instrumentos legítimos de posicionamento estratégico.
No mundo corporativo, observa-se dinâmica semelhante: alianças entre cadeias produtivas, consolidação de mercados e decisões orientadas por vantagem competitiva, muitas vezes em detrimento de narrativas institucionais idealizadas.
Nesse contexto, torna-se evidente que a estratégia ensinada em grande parte das escolas de negócios e praticada por muitas empresas nacionais carece de profundidade analítica. Ignorar a dimensão real do poder e dos interesses compromete a capacidade de competir em escala global.
Revisar esse paradigma não é opcional. É condição necessária para relevância, sustentabilidade e posicionamento estratégico no século XXI.
Ignorar a realidade do jogo estratégico não elimina seus efeitos apenas reduz a capacidade de competir dentro dele.
Hélio Mendes- Palestrante, consultor empresarial e político. Autor de Planejamento Estratégico Reverso e Gestão Reversa. Curso de conselheiro pelo IBGC e ex-Secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Uberlândia (MG).
Assista no sábado 02/05/26 A série: “As Lideranças Reversas”, Episódio 1 – A Nova Liderança em Tempos de Ruptura.
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